JORNAL DIÁRIO DE JUNDIAÍ
QUARTA-FEIRA, 1 DE MARÇO DE 1967
ANO V - N° 1278
( CONTINUAÇÃO DA MATÉRIA )
" Em outubro de 1963, o Círculo Operário Jundiaiense obteve despacho favorável na liminar em que pleiteou reintegração de posse dos dois órgãos de difusão, Rádio Difusora Jundiaiense e jornal "A FOLHA", isto após uma brilhante inicial feita pelo advogado Arnaldo Machado, que relata minuciosamente toda a vida desses órgãos, assim como aborda, de passagem, o caso do prédio da Rua Barão de Jundiaí. Os diretores do Círculo compareceram, acompanhados de um Oficial de Justiça, a fim de cumprirem o despacho judicial. O despacho dizia no final: "Ressalvados os direitos societários do réu". Isso foi o suficiente para que a posse fosse tumultuada com gritos e ameaças a ponto de confundir o próprio Oficial de Justiça, que pediu encarecidamente aos diretores do Círculo que se retirassem por medida de prudência, até novas providências do Juiz de Direito.
No dia 2 de novembro, agora acompanhados do advogado Arnaldo Machado e dos revmos. Padre Antonio Maria Stafuzza, vigário da Matriz de Santa Terezinha, padre Thomaz Moliani, vigário de Vila Arens e de diretores e congregados marianos, todos como convidados e munidos apenas do mandato judicial, compareceram novamente os diretores do Círculo. O tumulto que da primeira vez ficara apenas em ameaças, desta vez se degenerou em conflito quando Tobias Muzaiel, seu irmão e mais um cunhado arrombaram as portas do jornal onde os diretores do Círculo haviam iniciado o tombamento das máquinas e acessórios. O tumulto se alastrou pela rua. Tanto as portas do jornal como a da rádio foram arrombadas. A polícia foi chamada por Tobias, que ordenava a prisão de todos. O tenente Edno Zomignani, à vista de exibição do mandato judicial, solicitou ao advogado Arnaldo Machado e aos diretores do Círculo que fossem à Delegacia de Polícia parlamentar com o Dr. Bonelli, uma vez que essa autoridade policial estava impossibilitada de comparecer ao local.
Na Delegacia de Polícia foi lavrada fôlha de ocorrência e o Delegado pediu que todos se retirassem para suas casas e que aguardassem o pronunciamento da Justiça. Entretanto, para espanto geral, adentrou o gabinete do Delegado o advogado Muzaiel Feres Muzaiel trazendo consigo um "pé de cabra" dizendo que os diretores do Círculo e mais os dois vigários haviam arrombado a porta da Rádio com aquele instrumento e de lá haviam surrupiado documentos importantes. Fez mais. Elaborou uma representação, indiciando como arrombadores e como autores de furto de documentos, os seguintes elementos: Padre Antonio Maria Stafuzza, Padre Thomaz Moliani, José Seckler Machado, José Maria do Monte Carmello, Armando Dainese e outros elementos.
Esse processo, conquanto despido de qualquer prova, tramitou irregularmente por 7 meses na polícia, mesmo porque, a única prova do arrombamento havia sido levada pela própria parte denunciante. Mas, a finalidade desse processo era bem outra. Durante esse período, Tobias Muzaiel, quer pessoalmente, quer através de seus advogados, tentou obter uma acomodação com o Círculo, ora oferecendo a retirada da queixa, ora ameaçando novas cargas. Nada porém, comprou a honestidade do presidente do Círculo, que lutou até o final do processo, sem arredar um milímetro sequer e sem fazer a mínima concessão que pudesse fazer com que o usurpador se refestelasse na cômoda poltrona montada à custa do Círculo.
Nem os sacerdotes atingidos pela insensatez mereceram a atenção do garoto. A sua intenção era de atingir o clero através dos dois sacerdotes injuriados para ver se com isso esse mesmo clero, premido pelo medo de um escândalo, forçasse o Círculo a um acôrdo. Essa intenção ruiu fragorosamente, tanto pela decisão da justiça como pela própria serenidade dos acusados que nela confiaram.
Há processos ainda pendentes na Justiça, assim como há uma decisão final do CONTEL. Mas, justiça é justiça. Justiça é uma coisa que não se pede: exige-se. Lamenta-se a sua morosidade e não se pode exigir que ela caminhe como a gente deseja e isto tem propiciado ao usurpador ocasiões para mais se locupletar, chegando mesmo ao cúmulo de dirigir petições em nome da Rádio Difusora Jundiaiense quando o CONTEL já informou que ele não é cotista, portanto, sem nenhuma qualidade para falar, quanto mais para subscrever documentos oficiais perante a Justiça ".
sábado, 4 de outubro de 2008
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