domingo, 14 de novembro de 2010

A CICA DESPEDINDO-SE PARA SEMPRE ! ! !

Na última sexta-feira estivemos na loja TELHANORTE para a compra de um material que precisávamos. Na hora de sairmos de lá perguntamos ao vendedor o por que da loja estar quase vazia. O funcionário nos respondeu o seguinte: " O novo dono do prédio pediu o imóvel, por isso estamos de mudança ". A pergunta feita por nós foi óbvia: " Mas quem é o novo dono do imóvel ? ". A resposta do funcionário foi rápida: " O novo dono do prédio é o Miguel Haddad ". Pagamos a conta e deixamos a loja. A Companhia Industrial de Conservas Alimentícias - CICA foi a maior multiprodutora agrícola brasileira. A empresa foi fundada em 1941 como resultado da associação do banqueiro Alberto Bonfiglioli com as famílias Messina, Guerrazzi e Guzzo, entre outras. A CICA depois de décadas de atuação transformou-se em uma verdadeira bandeira da cidade de Jundiaí. Em 1998, durante a gestão do então prefeito de fato Miguel Haddad, a empresa, que chegou a empregar cerca de 4.000 funcionários, foi embora da cidade por puro descaso da administração municipal da época que não moveu uma palha sequer para segurá-la. Hoje, todo o patrimônio que restou tem um destino quase certo devido ao histórico do novo proprietário: Mais um condomínio de luxo no município. E assim caminha Jundiaí. Uma cidade que já foi berço de homens extraordinários como o Engº Jayme Pinheiro de Ulhôa Cintra, um dos maiores nomes da engenharia ferroviária brasileira; o Engº Francisco Paes Leme de Monlevade, o precursor da previdência social dos ferroviários no Brasil; o Dr. Eloy de Miranda Chaves, deputado federal que fez aprovar no Congresso Nacional a lei que criava a previdência social no Brasil. Eles e tantos homens brilhantes viveram e foram sepultados nesta terra que tanto amaram. Porém, a atualidade de Jundiaí é muito triste. A nossa história está sendo jogada pela janela, de maneira vergonhosa, em troca de polpudos lucros imobiliários. O resultado dos últimos 20 anos de governo deste grupo que aí está é tão funesto que, ao continuar assim, Jundiaí poderá ser, em breve, um lugarejo fantasma sem identidade, sem história e sem futuro. Além das robustas contas bancárias dos especuladores imobiliários, seremos apenas um batalhão de andarilhos cuja única perspectiva de vida será a de sermos seres robotizados, dizendo amém ao coronelismo que nos domina há duas décadas e também agradecendo a ele por vivermos sob o seu chicote.