
O antropólogo Joseph Campbell, em seu livro " O Poder do Mito ", ao retratar a presença dos mitos na vida humana ele diz: " Todas as histórias podem ser traduzidas e dissecadas na Jornada do Herói ". Durante estas eleições de 2010 pudemos constatar que Lula é, hoje, o herói da maioria do povo brasileiro. Conversando com as pessoas simples e mais humildes pelas ruas, chegamos a ouvir o seguinte: "Se o Lula mandar eu me jogar embaixo do onibus eu me jogo". É claro, tudo no sentido figurado. Mas estas palavras da população mostram o quanto Lula é adorado no Brasil. Nesta eleição Lula e Dilma enfrentaram uma campanha sórdida e feroz. Forças terríveis dentro e fora do país estavam ao lado de José Serra, que teve o desplante de abrir seus comitês à TFP, Opus Dei e outros movimentos muito ativos na época da ditadura militar. Se do lado tucano estas correntes estiveram presentes, Lula e Dilma podiam contar apenas com uma força de verdade: o coração do povo pobre, muito atendido nos últimos 8 anos; se a selvageria estava presente do lado do PSDB, do lado de Lula a paixão desmedida dos humildes o carregou, junto com Dilma, para a vitória. Um homem que saiu de Garanhuns (PE) na condição de retirante nordestino quase faminto, transformou-se no maior presidente da história do Brasil, superando inclusive a Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, também inesquecíveis. Independente dos erros e acertos de Lula, a maioria do povo brasileiro o guardará por todo o sempre incrustado na ternura e na sinceridade do seu cantinho de saudade.
